Na última quinta-feira (22/10/2026), o Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep) aprovou por unanimidade, numa reunião no Palácio da Liberdade, em BH, o registro dos “Modos de Fazer Cachaça de Alambique” como patrimônio cultural imaterial do estado. Segundo a imprensa, teve aplauso e grito de comemoração na sala.
E repara no detalhe: o reconhecimento não é só da bebida, é do saber. O Iepha-MG (o instituto de patrimônio de Minas) considerou as técnicas, as memórias, o jeito de organizar o trabalho e as relações entre as famílias que passam esse conhecimento de geração pra geração. É o conhecimento que vai do plantio da cana até o copo.
Esse processo vem de longe. Os estudos começaram em 2004, e os pesquisadores catalogaram alambiques em seis cidades: Salinas, Januária, Caeté, Paraopeba, Montes Claros e Guaraciaba.
Alguns números pra dar a dimensão: Minas tem entre 630 e 650 alambiques registrados e produz cerca de 13,5 milhões de litros de cachaça de alambique por ano. É a maior produtora do país nesse segmento.
Na mesma reunião, as Expressões do Samba em Minas também viraram patrimônio imaterial, e a Casa de Dona Beja, em Araxá, foi tombada. Ou seja, samba e cachaça foram reconhecidos no mesmo dia. 🇧🇷
E não para por aí: segundo a Anpaq (associação nacional da cachaça de alambique), os produtores já pediram ao governo federal o reconhecimento em nível nacional. O próximo passo pode ser a cachaça como patrimônio do Brasil inteiro.
Pra quem vive disso, a conquista tem outro peso. Uma produtora de Guaraciaba, cuja família faz cachaça há mais de seis décadas, resumiu bem: o reconhecimento ajuda a tirar o estigma e mostrar pras novas gerações como se degusta uma boa cachaça.
Então, no fim de semana, já sabe: levanta o copo pro alambiqueiro. 🥃
- Estado de Minas sobre o samba e a cachaça como patrimônio
- O Tempo sobre o reconhecimento
- Estado de Minas sobre a pauta do Conep, com a fala da Anpaq sobre o pedido federal
- BHAZ sobre os novos patrimônios de Minas
