350 alambiques, só 15 legalizados: o tesouro escondido do Circuito das Águas Paulista

Quando se fala em cachaça de alambique, todo mundo pensa logo em Minas. Mas o interior de São Paulo guarda uma das regiões mais ricas do país nessa história, e pouca gente sabe disso.

O Circuito das Águas Paulista reúne cerca de 350 produtores de cachaça artesanal. Só que, segundo a associação dos produtores da região (APCCAP), apenas 15 deles são legalizados. É muita tradição ainda escondida no fundo do quintal.

A boa notícia é que a região conquistou recentemente a Indicação de Procedência, um selo de origem certificada. Para quem produz, isso significa mais credibilidade, mais valor na garrafa e mais gente subindo a serra para conhecer o alambique de perto.

E tem história boa por trás de cada garrafa. A família Benedetti chegou da região de Trento, no norte da Itália, por volta de 1880, e foi trabalhar no café em Amparo e Serra Negra. Com a crise de 1929, receberam como pagamento de uma dívida um engenho de cana e um alambique de cobre de 80 litros. Começaram fazendo cachaça para consumo próprio, depois para os vizinhos, e a fama foi crescendo sozinha.

Hoje, já na quarta geração, eles envelhecem cachaça em umburana, bálsamo, carvalho, cabreúva, louro-canela e amendoim. Cada madeira conta um pedaço diferente do Brasil no copo.

Em Amparo também fica a Cachaças da Torre, no bairro Areia Branca. A produtora Viviane Baldin planta a própria cana e, a partir da cachaça branca, criou uma linha de 30 produtos, com licores de jabuticaba, cambuci, banana, maracujá e figo.

Quer conhecer? As Rotas da Cachaça de São Paulo, criadas no ano passado, ligam 11 alambiques em cinco cidades: Amparo, Monte Alegre do Sul, Piracaia, Serra Negra e Socorro. Dá para juntar serra, clima ameno, comida caipira e degustação direto com quem faz.

E aqui vai o recado de quem é amigo da cachaça: prefira sempre a cachaça registrada no Ministério da Agricultura. É assim que a gente protege o consumidor e ajuda o pequeno produtor a crescer de verdade.

Cachaça não é só bebida. É família, é território e é cultura brasileira que merece ser contada. 🥃

Beba com moderação.

Você já visitou algum alambique em Amparo, Serra Negra ou Socorro? Conta qual foi! 👇

Fontes

  • Gazeta do Povo, de 01/11/2026, com os números da APCCAP, a Indicação de Procedência, a história dos Benedetti, a Cachaças da Torre e as Rotas da Cachaça de SP
  • Gazeta do Leste, com a mesma reportagem republicada

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